Processos colaborativos: como revolucionar o mercado por meio do compartilhamento

Por Mauro Inagaki, CEO da b2finance

O meio empresarial não é um universo estático. Assim como outras atividades humanas, os modelos de gestão de um negócio passam por mudanças de acordo com os novos paradigmas e valores de uma sociedade.

Neste sentido, é natural que em um ambiente movido por inovação, perspectivas diferenciadas das novas gerações que compõem a força de trabalho e o próprio questionamento das relações tradicionais de poder, surgissem companhias dispostas a repensar os processos de gerenciamento empresarial.

Dentro deste contexto, ganha força no mercado uma nova forma de se enxergar as rotinas internas de uma organização e o modo como gestores e colaboradores interagem entre si no dia a dia de suas funções. Podemos chamar este modelo de estrutura colaborativa, muito mais calcado na cooperação do que na competição entre os colegas de uma empresa.

Neste artigo, quero abordar as vantagens de tais estruturas colaborativas, propondo uma reflexão sobre a necessidade de pensarmos além e projetarmos processos de cooperação mesmo entre empresas concorrentes.

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Como definir uma estrutura colaborativa

 As mudanças nos perfis profissionais

Mesmo com todos os avanços e mudanças sociais das últimas décadas, o que se percebe é que, em um plano geral, muitos empresários ainda conduzem seus negócios a partir de um modelo de gestão hierárquico e fortemente baseado na contratação de colaboradores para o exercício de atividades puramente operacionais. Estes colaboradores, quase que inevitavelmente, terão um dia a dia com uma rotina bastante rígida e pouco desafiadora.

Todavia, este modelo de gestão hierárquico, que acaba por estimular um excesso de competição por cargos e até a rivalidade entre os departamentos de uma mesma empresa, vai na contramão dos valores que ganham força na sociedade contemporânea.

Um deles, por exemplo, é a noção de que mais vale trabalhar em uma empresa com a qual me identifico, que reconhece meu talento e me propõe desafios estimulantes, do que em uma companhia onde terei um cargo de renome, mas uma rotina pouco dinâmica. Tão por isso, as gerações Y e Z que começam a dominar o mercado, estão pouco interessadas em uma carreira longa dentro de uma organização com princípios de gestão antiquados.

II – O senso comunitário

Outro valor que volta aos poucos a ganhar força na atualidade consiste no respeito a vida comunitária, a uma boa convivência entre as pessoas. Em tempos de amplo isolacionismo, é interessante vermos surgir movimentos que estimulam uma aproximação social nos mais diferentes contextos.

Tomando estes dois valores como ponto de partida, podemos definir as estruturas colaborativas como um modelo de gestão baseado no interesse em engajar todos os funcionários de uma empresa para que trabalhem, de fato, em equipe, pensando no desenvolvimento da organização, mas também na construção de uma carreira mais rica e instigante.

Em tal modelo, é natural vermos a flexibilização das noções hierárquicas, com chefes e colaboradores trabalhando de modo mais próximo, líderes com perfil agregador, equipes autônomas, participação e voz dos funcionários dos mais diversos níveis no processo de tomada de decisões importantes para empresa.

Esta proposta lhe parece interessante? Pura utopia? Pois saiba que já há uma série de empresas implementando modelos de gestão centrados na colaboração, reorganização de cargos e até na mudança de estruturas físicas que rompam as noções de “departamentos”.

Mudança de mindset e a implementação das estruturas colaborativas

“O certo é que, da maneira como estão organizadas hoje, muitas empresas não estão funcionando. A velha estrutura, rígida e hierarquizada, parece inibir a capacidade criativa, desestimular o profissional do século 21 e, consequentemente, emperrar a inovação e enfraquecer as organizações.”

O trecho acima foi extraído de uma matéria da Exame de quase três anos atrás que já atentava os empreendedores para a necessidade de se inovar na forma de compreender a organização de uma empresa.

Penso que o primeiro passo para que se atinja este objetivo consiste na mudança de mindset. Vivemos (e costumamos estimular) em nossos negócios uma realidade competitiva.

Embora o espírito de competição faça parte do ser humano e em certa medida pode até ser benéfico, quando excessivamente estimulado, a competição mina as possibilidades de cooperação entre os indivíduos. Tal realidade é especialmente absurda dentro de uma empresa em que todos, em tese, deveriam trabalhar juntos em prol do crescimento da companhia.

O papel da tecnologia nas estruturas colaborativas

Outro ponto importante para a efetivação de um rede de colaboração no ambiente interno de um negócio se dá através do aproveitamento de tecnologias que favoreçam a integração e o compartilhamento informacional entre os colaboradores.

Com a profusão de sistemas de ERP eficientes, ferramentas inovadoras para a realização de projetos em grupo e até o crescimento das redes sociais corporativas, não existe mais desculpa para a manutenção de estruturas hierárquicas que contribuem para o isolamento e para uma cultura corporativa fragilizada.

Estratégias de colaboração entre empresas

Gostaria de comentar ainda que, mesmo quando pensamos no ambiente de negócios como um todo, acredito que a implementação de processos colaborativos entre empresas (até mesmo entre empresas concorrentes), pode ser algo extremamente positivo quando levamos em conta determinados cenários.

Meu interesse aqui não é romantizar o meio empresarial, mas apontar que, em algumas situações estratégicas, a colaboração é muito mais efetiva do que a competição pura e simples.

Um exemplo conhecido. Em 2014, Elon Musk liberou patentes da Tesla para estimular a produção de baterias e carros elétricos. Musk estava sendo filantropo ou ficando louco? Não, ele apenas enxergou que o fortalecimento do mercado de veículos elétricos poderia estimular o consumo e, consequentemente, favorecer o crescimento da própria Tesla.

Conclusão

Compartilhamento do conhecimento. Trabalho em equipe. Inovação. Dinamismo nas relações profissionais. Princípios como estes tendem a ganhar cada vez mais força no ambiente de negócios brasileiro. E sua empresa? Está preparada para abraçar a colaboração?

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