eSocial: Por que esperar uma nova prorrogação?

Por: Wellington Calobrizi e Mário Alexandre Ferreira

O eSocial é uma das pautas que gera mais debates no plano das questões trabalhistas e das transformações no sistema tributário brasileiro, sobretudo porque as mudanças que ele propõe alteram consideravelmente a rotina das equipes de recursos humanos das empresas do país.

Presente nas discussões do eSocial desde o início de 2011, fomos convidados a participar recentemente de um painel de debate em São Paulo sobre o eSocial e a EFD REINF, obrigações estas em que o governo promete que entrarão juntas a partir de janeiro de 2018.

Entre as questões debatidas no evento, tivemos discussões sobre tópicos que, no ambiente interno de nosso mercado de atuação, já são conhecidos como “mais do mesmo” e que tratam sobre a necessidade das empresas olharem para 5 pilares: processos, sistemas, compliance, cadastros e mudança cultural ou gestão da mudança.

Com esse reforço constante de tópicos semelhantes e análises com pontos em comum, até quem não é da área de RH já aprendeu o slogan: O projeto eSocial não é apenas do RH, é um projeto de ordem corporativa e multidisciplinar!

Alguma surpresa ou inverdade até então? Não, nenhuma, o caminho é por aí mesmo, precisamos ter em mente a necessidade de mudança e a ênfase no debate sobre como o caráter multidisciplinar do eSocial auxilia neste processo de conscientização do empresariado e dos profissionais que irão lidar diretamente com os desafios do projeto.

Sendo assim, tudo certo. O que nos surpreendeu no evento, de fato, foi o volume de empresas que, estando presentes em um painel sobre eSocial, encontram-se totalmente despreparadas para as inovações que ele propõe, em verdadeiro estado de ponto morto e no marco zero de qualquer movimentação significativa.

E o que estamos esperando? Não temos que achar novas desculpas, já podemos realizar algumas tarefas importantes, como:

– DE/PARA de rubricas;

– Análise de CBO;

– Qualificação cadastral;

– Saneamento cadastral.

Este é o primeiro passo da mudança cultural que tentamos vender a todo moON NOWmento, mas que, em diversos casos, não implementamos no ambiente interno de nossas organizações: não podemos deixar a preparação para a última hora!

Com tal postura, parece até que contamos com a certeza da ineficiência do Estado no projeto, da ocorrência de incertezas no ambiente político que afetarão seu andamento e até com uma nova prorrogação de prazos que viria, hipoteticamente, em algum dos itens abarcados pela Reforma Trabalhista.

Mas, em nosso trabalho, por mais que o ambiente tributário brasileiro seja mesmo instável, não podemos atuar no terreno da suposição, mas dos fatos. E o fato é que trabalhos no ambiente de teste do eSocial começam já em agosto – embora alguns sistemas de folha tenham comunicado aos seus clientes que disponibilizarão o módulo de mensageria apenas em outubro.

Para concluir, nossas teses centrais são as seguintes: sem esquecer que estamos no Brasil, o país onde tudo é possível no terreno político/fiscal, achamos pouquíssimo provável uma nova prorrogação de prazos do eSocial. Porém, por questões de responsabilidade e eficiência, as empresas – em especial os profissionais de Recursos Humanos – não podem, nem devem contar com isso para pautar suas rotinas. O que vale para os outros, também vale para nós: busquemos, pois, dar início a mudança.

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