Você está mesmo do lado da Inovação Disruptiva?

Por Wellington Calobrizi, sócio/partner da b2finance

Transformação digital. Revolução Industrial 4.0. A busca pelo desenvolvimento de soluções disruptivas. Todas estas pautas perpassam as discussões sobre o ambiente de negócios em escala global. Todavia, até que ponto as empresas no Brasil contam com um cenário favorável para criar produtos ou serviços que realmente transformem seu segmento e gerem benefícios significativos para os consumidores?

Responder essa pergunta não é algo simples e requer uma reflexão baseada em dois eixos: se por um lado, o empreendedor brasileiro já está habituado “a matar um leão por dia” na sua jornada para a conquista de mercado, por outro, não há dúvidas de que nosso país ainda tem muito a avançar no que concerne ao estímulo a iniciativa privada.

E o problema não para por aí. Quando nos referimos a marcas com faro para a inovação, em uma série de casos, fatores como o corporativismo se unem as excessivas regulações e a burocracia do estado para dificultar os processos de disrupção, ou seja, da introdução de inovações tão impactantes capazes de alterar os rumos de um determinado nicho. Vejamos dois exemplos que podem ser interessantes para ilustrar melhor esta discussão.

O caso Uber

O Uber sempre foi motivação para intensos debates, sobretudo no Brasil e em países com maior grau de intervenção estatal. No específico caso, o que temos é um aplicativo que oferece serviços de melhor ou semelhante qualidade que os Táxis e por preços, no geral, muito mais competitivos para o consumidor.

Entretanto, devido aos excessos corporativistas em torno desta questão, o cenário para o Uber no Brasil sempre foi, no mínimo, conturbado, com regulamentações e até a proibição do serviço em alguns estados. E quem perde aqui? Obviamente, os consumidores, que deixam de contar com mais uma alternativa para a locomoção.

Mesmo em cidades como São Paulo, cujo modelo de regulamentação encontra maior aceitação geral, o aumento nas taxas acabou por precarizar o trabalho dos motoristas, que precisam trabalhar muito mais, para ganhar uma renda semelhante à época de surgimento do serviço.

Vale comentar que o grande trunfo de uma economia mais aberta é permitir a livre competição. Consequentemente, inovações disruptivas como Uber, acabam estimulando marcas e prestadores de serviço a se adaptar e a oferecer melhores custos e serviços para a população, caso queiram continuar ativos. Tanto é que hoje, já é possível encontrar aplicativos de Táxi que disponibilizam opções e preços capazes de competir com o Uber.

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O debate em torno do streaming

Streaming, apenas para esclarecimento, é uma tecnologia que permite a transmissão de áudio ou vídeo sem que haja a necessidade de armazenamento permanente de arquivos e, por conseguinte, é a base de aplicativos como o Netflix ou o Spotify. Embora atualmente tais serviços não enfrentem grandes empecilhos, já tivemos discussões recentes em prol de uma maior taxação tributária dos serviços – fato que, sem dúvidas, acabaria sendo repassado para o consumidor.

Em junho do ano passado, por exemplo, um debate entre aliviar os tributos das TVs a cabo para estimular a competição (medida mais razoável para estimular um ambiente competitivo) e o aumento da tributação sobre o Netflix, chegou a ser levantado. É preciso ficar atento para essas discussões pois, no Brasil, nunca se sabe o que esperar.

Queremos optar pelo avanço ou pelo atraso?

Estas foram apenas duas situações ilustrativas para tratar do cenário da inovação disruptiva no Brasil. Você pode até pensar: bem, as empresas citadas são duas grandes companhias mundiais, podem suportar o peso dos tributos e etc.

Porém, se questione: e se uma pequena startup brasileira lança um produto inovador e ele vira alvo de correntes que parecem querer conter o avanço e as mudanças naturais do mercado? Lembremos que, o que acontece como uma determinada marca, pode muito bem acontecer conosco se não ficarmos atentos e procurarmos defender uma economia mais livre no país.

Finalmente, deixo mais uma questão direta: você é contra ou a favor da inovação? Do modo como enxergo as coisas, acredito que o sentido de estarmos no meio empresarial não se encontra na tentativa de barrarmos o desenvolvimento de um grande produto ou serviço, mas sim, no desejo de nos aprimorarmos cada vez mais, de modo a conquistarmos a confiança de nossos clientes e público-alvo. Que tal optarmos pelo avanço?

 

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